Tipos de Fundações – Parte II – Fundações Superficiais

O assunto hoje no Engenharia Civil Diária, vai ser sobre as Fundações Superficiais, dando continuidade a série de matérias sobre Tipos de Fundações.

As Fundações Superficiais ou Diretas, como já foi dito na matéria anterior, são fundações assentada nas primeiras camadas de solo, onde as cargas são transferidas ao terreno pela base do elemento estrutural. Abaixo listamos os tipos de Fundações Superficiais:

  •  Baldrames

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Baldrame

É um tipo comum de fundação para pequenas edificações. Constituída de uma viga, que pode ser de alvenaria, de concreto simples ou armado, construída diretamente no solo, dentro de uma pequena vala. É mais utilizada em casos de cargas leves como residência construídas sobre solo firme. Com tensão Admissível acima de 0,2 MPa.

Execução:

  1. Execução de um baldrame

    Execução de um baldrame

    Primeiro passo para sua execução é abrir uma vala de 20 cm de largura além da espessura das paredes que serão construídas. A largura total da vala não deve ser inferior a 40 cm, nem deve ultrapassar um metro.

  2. Depois, é preciso amassar o fundo da vala, para que sua superfície fique compactada e uniformizada. Em seguida, piquetes são cravados ao longo de sua extensão – eles servirão de referência para que o lastro de concreto fique nivelado e uniforme.
  3. Em sequência, deve-se jogar uma camada de 10 cm de brita no fundo da vala, que será bastante socada, até que penetre na terra.
  4. Paralelamente, é montada a armadura, posicionando os estribos, que ficam amarrados em barras horizontais com arame recozido, no espaçamento determinado pelo projetista. As fôrmas da sapata também são preparadas, com tábuas, sarrafos e desmoldante.
  5. Depois de posicionar a armadura na vala, começa a concretagem, adensando bem o concreto com barra de aço após o lançamento de cada lata. Para eliminar bolhas de ar, utilize um vibrador e alise a superfície com uma colher de pedreiro.
  6. Procedimento de cura úmida do concreto segue por três dias. Para manter a umidade constante, é preciso molhar com água, sem encharcar, duas vezes ao dia, em média. Se o clima estiver muito quente e muito seco, pode ser necessário adicionar água outras vezes.
  7. Após 24 horas de realizada a concretagem, já é possível iniciar a execução da alvenaria de embasamento, assentando sobre a sapata os blocos de concreto, com argamassa de assentamento. Um nível ou mangueira transparente farão a checagem nos cantos.
  8. Após os três dias, as fôrmas são retiradas e executa-se uma cinta de amarração, na última fiada da alvenaria de embasamento, antes da parede da casa.
  9. Por fim deve-se fazer a impermeabilização do baldrame.
  • Sapata

Sapata

Sapata

As Sapatas são elementos de fundação superficial dimensionada de modo que as tensões de trações resultantes resistam através de uma armadura disposta com essa finalidade. A sapata é armada somente em sua parte inferior.

As sapatas são divididas em três tipos: Sapata isolada, sapata corrida e sapata combinada. Onde as sapatas isoladas transmitem os esforços de um único pilar, a corrida fica sujeita a ação de uma carga distribuída linear ou de pilares ao longo de um mesmo alinhamento. E as sapatas associadas, é uma sapata comum a mais de um pilar, normalmente utilizada quando a distância entre duas ou mais sapatas é pequena.

Execução:

  1. Execução Sapata

    Execução Sapata

    Deve-se abrir os buracos para as sapatas, de modo que ele fique um pouco maior que as ferragens.

  2. Molhe o fundo do buraco e coloque uma camada de 5 cm de concreto magro.
  3. Assente a ferragem e encha o buraco com concreto gordo
  4. Vá sacudindo a ferragem conforme despejar o concreto, para que ela suba um pouco e fique totalmente envolvida.
  5. Soque o concreto com um tubo de ferro se não possuir vibrador elétrico. Do contrário, o concreto ficará com bolhas e rachará. Não despeje o concreto de uma grande altura, ou as pedras, mais pesadas, cairão, ficando a nata de cimento por cima.
  • Bloco

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Bloco de Fundação para 4 estacas

Elemento de fundação responsável pela transferência das cargas provenientes dos pilares e vigas baldrame para a fundação profunda (estacas). Suas dimensões variam basicamente com os esforços transferidos, com as características do solo e com a solução de estacas adotada.

Execução:

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    Execução Bloco para 3 estacas

    Marcação do eixo e faces laterais no terreno (base da sapata);

  2. Escavação do bloco (com ou sem escoramento lateral);
  3. Verificação se o solo previsto para a cota de apoio é compatível com a capacidade de carga do projeto;
  4. Execução da forma lateral do bloco;
  5. Execução do lastro no fundo do bloco (concreto magro);
  6. Colocação das ferragens do fundo (pé-de-galinha) e ferragens de espera do pilar;
  7. Concretagem – concreto ciclópico, observar cuidados com a concretagem; e
  8. Desforma e reaterro.
  • Radier

Radier

Radier

Radier é um tipo de fundação rasa que se assemelha a uma placa ou laje que abrange toda a área da construção. Os radiers são lajes de concreto armado em contato direto com o terreno que recebe as cargas oriundas dos pilares e paredes da superestrutura e descarregam sobre uma grande área do solo.

Execução:

  1. Execução radier

    Execução radier

    Marcar as cotas de nivelamento;

  2. Se necessário, realizar o nivelamento do terreno;
  3. Assim feito o nivelamento, é realizada a compactação do terreno com o rolo compressor. Para analisar se o solo possui 95% de compactação, nesse passo é realizada a extração do solo onde o rolo compressor mais afundou para o laboratório analisar;
  4. Conferir o nível após a compactação;
  5. Abrir vala em todo o perímetro do radier;
  6. Abrir valas para passagem de tubulações hidráulicas;
  7. Inserir as formas nas valas para delimitar o radier;
  8. Fazer o alinhamento em vários pontos do perímetro do radier, com utilização do gabarito e do prumo de face;
  9. Após o alinhamento, fazer o nivelamento da forma e, se necessário, utilizar calços para nivelar. Para conferir, usar o nível laser;
  10. Lançar em toda a área do radier um lastro de brita de 7 cm, evitando assim o contato entre a armação e o solo;
  11. Nas tubulações de hidráulica, ao invés de brita, usar cimento misturado com areia;
  12. Então, nesse passo você lança brita com terra nas tubulações;
  13. Após o lastro de brita, lançar uma lona em toda a área do radier para ajudar na impermeabilização;
  14. Para fixar a armação, utilizar caranguejos metálicos que ajudam a fixar armadura e mantém o distanciamento entre o solo;
  15. Antes de concretar, tampar e fixar as tubulações de hidráulica;
  16. Lançar, espalhar e nivelar o concreto para finalizar o radier.

Fontes: Meia Colher,  ConstruFacilEngenharia Minuto

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Tipos de Fundações – Parte I

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A fundação de uma edificação tem por finalidade transmitir as cargas da estrutura para as camadas resistentes do solo, onde ela está apoiada.

Para a escolha do tipo de fundação mais adequado a edificação, deverá se conhecer os esforços atuantes sobre a edificação, as características do solo e dos elementos estruturais que formam as fundações.

A avaliação e estudo das características do solo do terreno se resume em sondagem à percussão e dependendo do porte da obra ou não falta de informações, pode ser realizado outros estudos como poços exploratórios, ensaio de penetração continua.

Nesses ensaios devem constar locação de furos da sondagem, determinação do solo e profundidade, condições de compacidade, consistência e capacidade de carga do solo, nível do lençol freático, com essas informações pode-se ter uma base técnica para a escolha do tipo de fundação da edificação que melhor se adapta ao terreno e a edificação.

As fundações podem ser classificadas em dois grupos, de acordo com a forma de transferência de cargas da estrutura do solo onde ela apoia, são elas fundações superficiais também por fundações diretas e as fundações profundas ou fundações indiretas.

Tipos de fundações Fonte: Casa dois

Tipos de fundações
Fonte: Casa dois

Fundações superficiais

Pela NBR 6122, fundações superficiais são elementos de fundação em a carga é transmitida ao terreno, predominantemente pelas pressões distribuídas sob a base da fundação.

São aquelas que transferem as cargas da edificação para camadas de solo capazes de suporta-las sem deforma-se exageradamente. A transmissão da carga é feita através da base do elemento estrutural, considerando-se apenas o apoio da peça sobre a camada do solo, sendo desprezada qualquer outra forma de transferência das cargas.

Por sua vez as fundações superficiais podem ser subdivididas e dois grupos as rasas e profundas, onde as rasas se caracteriza quando a camada de suporte está próxima do solo, cerca de 2,5m de profundidade, e as profundas são caracterizadas quando as dimensões dos elementos estruturais passam desse valor.

Normalmente são projetadas com pequenas escavações no solo não tendo a necessidade da utilização de grandes equipamentos para execução.

São tipos de fundações superficiais as sapatas, os blocos, os radiers.

Fundações profundas

São elementos que transmite a carga ao terreno por efeito de atrito lateral do elemento com o solo e por efeito de ponta.

Utilizadas geralmente em projetos grandes que precisam transmitir maiores cargas ao terreno e quando as camadas superficiais do solo são pobres ou fracas.

São tipos de fundações profundas as estacas, tubulões e caixões.

A fundação profunda a qual possui grande comprimento e relação a sua base, apresenta pouca capacidade de suporte pela base, mas tem uma grande capacidade de carga devido ao atrito lateral do elemento com o solo.

Abaixo temos um gráfico de com a representação dos tipos de fundações existentes:

Tipos de fundações profundas Fonte: ConstruFacilRJ

Os prédios tortos de Santos

Predios_Tortos_de_Sano

2O solo de Santos é o Segundo pior do mundo, inferior apenas ao da Cidade do México. O solo é formado de oito a 12 metros de camada de areia medianamente compacta, seguida de 20 a 40 metros de uma camada de argila marinha, podendo depois ter outra faixa de areia ou não, e por último uma camada dura formada por rochas que varia de 40 a 50 metros.

Mais de 90 edifícios das décadas de 40, 50 e 60 na orla de Santos estão tortos, principalmente entre os canais 3 ao 6, onde a composição do solo da cidade é a principal da inclinação dos prédios. As pressões exercidas por prédios construídos na vizinhança também ajudaram a entortar ainda mais os edifícios. Continuar lendo